🫁 Protocolo Corporativo de Broncoaspiração e VAP — QualiCore 2026 | Código: PREN001
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QualiCore
Centro de Diagnósticos por Imagem SA — CNPJ 00.000.000/0001-00
Protocolo Corporativo de Broncoaspiração e VAP
Prevenção de Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica · Bundle VAP
Código:
PREN001
Versão:
1.0 — 2026
Responsável:
Coordenação de Enfermagem
Revisão:
Anual
Referência:
ANVISA RDC 7/2010 · CDC 2022 · ABNT
Público-alvo:
Enfermeiros e Técnicos de UTI
QualiCore · Plataforma de Protocolos Clínicos Corporativos · 2026 · Uso Exclusivamente Institucional
Sumário
1. Objetivo e Abrangência2
2. Definições2
2.1 Broncoaspiração2
2.2 Pneumonia Associada à Ventilação (PAV)2
3. Bundle VAP — 5 Intervenções3
4. Cuidados com Via Aérea Artificial3
5. Manejo da Broncoaspiração4
6. Vigilância e Critérios Diagnósticos4
7. Indicadores de Qualidade5
8. Referências5
PREN001 v1.0 — Broncoaspiração e VAPQualiCore 2026
1. Objetivo e Abrangência
Este protocolo estabelece diretrizes corporativas para a prevenção de broncoaspiração e pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV/VAP) em pacientes internados nas unidades de terapia intensiva e semi-intensiva das unidades da rede QualiCore.
📌 Objetivo principal
Reduzir em ≥ 50% a incidência de PAV por meio da adesão ao Bundle VAP de 5 itens, com meta de conformidade ≥ 85% do bundle completo em todas as unidades.
Abrangência: UTI adulto, UTI pediátrica, semi-intensivo e unidades de internação com pacientes em ventilação mecânica invasiva (VMI) ou alto risco de broncoaspiração.
1.1 Fatores de risco para broncoaspiração
Nível de consciência reduzido (Glasgow ≤ 8)
Disfagia ou distúrbio de deglutição
Refluxo gastroesofágico / gastroparesia
Ventilação mecânica invasiva com cuff hipoinsuflado
Posição supina prolongada em pacientes em nutrição enteral
Pós-operatório de cirurgias de cabeça, pescoço e tórax
2. Definições
2.1 Broncoaspiração
Passagem de conteúdo orofaríngeo, gástrico ou de corpo estranho para a via aérea inferior (abaixo da glote), podendo causar desde pneumonite química até pneumonia aspirativa grave com insuficiência respiratória.
2.2 Pneumonia Associada à Ventilação (PAV)
Infecção pulmonar que se desenvolve ≥ 48 horas após a intubação orotraqueal e início da ventilação mecânica invasiva, não presente no momento da admissão.
Classificação
Onset
Germes típicos
Mortalidade
PAV Precoce
48–96h de VMI
S. pneumoniae, H. influenzae, MSSA
20–30%
PAV Tardia
> 96h de VMI
P. aeruginosa, MRSA, Acinetobacter
30–50%
PAV Grave
Qualquer
Multirresistentes
até 70%
3. Bundle VAP — 5 Intervenções Obrigatórias
⚡ Bundle VAP — Evidência nível A (IHI / CDC 2022)
A realização simultânea dos 5 itens reduz a incidência de PAV em até 66%. O bundle deve ser avaliado em cada turno (12/12h ou 8/8h conforme rotina da unidade).
①
Cabeceira 30°–45°
②
Higiene oral com CHX 0,12%
③
Pressão cuff 20–30 cmH₂O
④
Circuito VMI íntegro
⑤
SAS/Interrupção sedação
#
Item do Bundle
Especificação técnica
Frequência
① Cabeceira
Elevação do decúbito
30° a 45° na ausência de contraindicação (hipotensão, instabilidade hemodinâmica, cirurgia de coluna). Medir com goniômetro ou régua de leito.
Contínuo / avaliar 12/12h
② Higiene oral
Clorexidina 0,12%
Escovação suave de dentes, gengivas e língua + aplicação de clorexidina 0,12% com swab. Aspirar secreções antes da higiene.
8/8h (mín. 3x/dia)
③ Pressão do cuff
Monitorização da pressão
Manter entre 20 e 30 cmH₂O com cufômetro calibrado. Hipoinsuflação favorece microaspiração; hiperinsuflação causa isquemia traqueal.
8/8h ou após cada manipulação
④ Circuito VMI
Manutenção do circuito
Não desconectar desnecessariamente. Drenar condensado do circuito para fora do paciente. Troca conforme protocolo de CCIH (7 dias ou ao sujar).
Avaliar 12/12h
⑤ Sedação / SAS
Gerenciamento de sedação
Avaliação diária da necessidade de sedação. Interrupção diária da sedação (SAT) quando indicado. Escala RASS alvo -1 a 0 (salvo exceções clínicas).
1x/dia (avaliação)
⚠️ Contraindicações relativas ao item ① (cabeceira 30-45°)
Hipotensão refratária (PAM < 65 mmHg sem resposta a volume), instabilidade hemodinâmica grave, cirurgia de coluna vertebral recente, fraturas pélvicas instáveis. Registrar justificativa quando não realizado.
4. Cuidados com Via Aérea Artificial
4.1 Intubação orotraqueal (IOT)
Preferir IOT à nasotraqueal (menor risco de sinusite e PAV)
Fixar TOT com fita hipoalergênica ou dispositivo específico
Marcar posição do TOT na comissura labial e registrar em prontuário
Confirmar posicionamento com radiografia de tórax após intubação
4.2 Aspiração de vias aéreas
1
Indicação: aspirar somente quando necessário (secreção visível, SpO₂ queda, ausculta com ruídos). Evitar aspiração de rotina por horário fixo.
↓
2
Técnica asséptica: higienizar mãos + luvas estéreis + cateter de calibre adequado (sonda n° 12–14 para adultos).
↓
3
Execução: pré-oxigenar 100% O₂ por 30s → introduzir sonda sem vácuo → aplicar vácuo na retirada (máx. 150 mmHg) → tempo ≤ 15 segundos por tentativa.
Em pacientes com previsão de VMI > 72h, considerar uso de TOT com canal de aspiração subglótica (cuffed with subglottic secretion drainage — SSD). Aspirar subglote com seringa de 5 mL ou sistema contínuo de baixa pressão a cada 4h.
5. Manejo da Broncoaspiração
🚨 Broncoaspiração maciça — Emergência
Chamar equipe imediatamente. Posicionar em decúbito lateral. Aspirar orofaringe e traqueias. Não realizar lavagem traqueal rotineira. Acionar médico para avaliação de broncoscopia.
Aspiração: orofaringe e via aérea (se IOT). Instalar oxigenoterapia de alto fluxo ou VMI se necessário.
↓
4
Notificação e registro: anotar horário, características do evento, SpO₂ antes/depois, conduta realizada e resposta. Notificar médico e chefia de enfermagem.
6. Vigilância e Critérios Diagnósticos de PAV
6.1 Critérios diagnósticos (ANVISA / CDC)
Critério
Definição
Clínico
Febre > 38°C ou hipotermia < 36°C + leucocitose ou leucopenia + piora das trocas gasosas (PaO₂/FiO₂ reduzida) após ≥ 48h de VMI
Radiológico
Novo infiltrado ou consolidação na radiografia de tórax, não explicado por edema ou atelectasia
Microbiológico
Cultura de aspirado traqueal, BAL ou escovado ≥ 10⁵ UFC/mL (aspirado) ou ≥ 10⁴ UFC/mL (BAL)
6.2 Ações ao suspeitar de PAV
Notificar médico responsável e CCIH imediatamente
Coletar aspirado traqueal ou BAL antes do início de antibioticoterapia (sempre que possível)
Registrar no formulário de IRAS (Infecção Relacionada à Assistência à Saúde)
Revisar adesão ao Bundle VAP e identificar falhas
Realizar treinamento de beira de leito com a equipe envolvida
📋 Notificação compulsória
A PAV deve ser notificada ao SCIRAS (Serviço de Controle de IRAS) e lançada no sistema de vigilância epidemiológica hospitalar. Taxa de PAV por 1.000 dias de VMI é indicador obrigatório de qualidade assistencial.
7. Indicadores de Qualidade
Indicador
Fórmula
Meta
Frequência
Taxa de PAV
(Casos de PAV / Dias de VMI) × 1.000
≤ 5/1.000 dias VMI
Mensal
Adesão ao Bundle VAP completo
(Bundles completos / Total avaliados) × 100
≥ 85%
Mensal
Adesão higiene oral CHX
(Realizadas / Prescritas) × 100
≥ 90%
Mensal
Conformidade cuff 20-30 cmH₂O
(Medições dentro do alvo / Total) × 100
≥ 90%
Mensal
Cabeceira 30-45°
(Avaliações conformes / Total) × 100
≥ 95%
Mensal
8. Referências
ANVISA. Critérios Diagnósticos de IRAS — IRAS e Resistência Microbiana em Serviços de Saúde. 2017.